quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Virgem até quando?

É um dos maiores desafios da sexualidade: determinar qual a pessoa e o momento certo para se entregar ao amor.


Tema central da construção moral das sociedades, a sexualidade sempre foi tratada com pudor. A história encarrega-se de comprovar que, da condenação ao apelo ao amor livre, já se passaram todas as fases. Doenças como a Sida e a hepatite suscitaram muitas dúvidas e desencadearam o debate. Muitos jovens viram na preservação da virgindade e na abstinência sexual uma forma de se protegerem. Cada pessoa à sua maneira, mais cedo ou mais tarde, acaba por se confrontar com a perda da virgindade. O mais difícil é determinar quando é chegado o momento...

Vanda idealizou ser virgem até ao casamento e demorou quase 30 anos a romper esse pacto que tinha feito consigo própria. Preservou a virgindade como quem guarda o maior dos tesouros. Não é uma questão de fé nem de orientação religiosa, é uma questão dos valores em que acredita. E ela acredita que chegará o dia em que vai saber que está diante da pessoa certa. Por agora, só tem incertezas. “Será que é ele? Será que estou a deixá-lo escapar?”No seu vasto círculo de amigas, sabe que é caso único. Compartilha com poucas este segredo, não por qualquer espécie de vergonha ou pudor, mas da mesma forma que guarda o melhor de si para quem a merecer. “Quem me conhece, mesmo os meus amigos, nada os levaria a pensar nisso. Mas cada um só mostra aquilo que quer mostrar.” E o que ela, hoje, deixa revelar de si é a imagem de alguém confiante, forte, ainda que este seja apenas um jogo de aparência. Os projectos vão-se realizando – a carreira na área das relações públicas está sólida e já comprou um apartamento, onde vive sozinha. O casamento é outra etapa. “Na sociedade actual, não faz sentido pensar que vou chegar ao casamento virgem. Se chegasse, seria perfeito. Mas é, sobretudo, o encontrar a pessoa que acredito que é a pessoa certa.” E se essa pessoa não der o devido valor a este gesto? É um medo que a assalta. Se assim for, vai aceitar com naturalidade: “Nem todos acreditamos nos mesmos valores.”


De qualquer forma, a tentação existe. Como uma necessidade que interpela o corpo, que o desassossega. Quantas vezes idealizou como seria o momento? Vanda não foi muito namoradeira, as vezes que contam na contabilidade da paixão são só duas e viveu essas duas relações fugazmente. Sentia-se tentada nos momentos mais íntimos. Ao mesmo tempo, havia algo em si que apenas exigia que fosse honesta consigo própria e que tivesse a certeza do que estava a fazer. Nunca avançou. Mas, entretanto, tudo mudou. Quando nos voltámos a encontrar, já passou algum tempo e é outra pessoa que está sentada à minha frente. Ainda mais magra, independente e já plenamente mulher. Passou quase um ano e Vanda descobriu o amor. Chegou de mansinho. Chegou a pensar que pudesse ser “a pessoa certa”. Não foi, ficaram apenas bons amigos. Conheceu outro alguém, passado pouco tempo. Entre o primeiro e o segundo encontro, ainda demoraram alguns meses a rever-se, mas havia algo que os fez não se esquecerem. Aconteceu. Estava nervosa, admite que as vezes seguintes foram muito mais especiais, mas foi como ela tinha previsto. Foi ele quem a fez acreditar de novo e, afinal de contas, nunca lhe tinha confiado aquele segredo, nunca denunciara a sua virgindade.

“Ele sabia”, diz. Soube o tempo todo em silêncio, percebia o nervosismo de Vanda, percebia que ela se esquivava sempre a momentos mais íntimos, que os rodeios em volta das conversas só podiam significar inexperiência. Falaram depois de consumado o momento entre lençóis de linho branco. Ele agradeceu-lhe esse “presente grandioso” que uma mulher pode dar a alguém apenas uma vez na vida. Hoje vive descomprometidamente. Encontra-se de vez em quando com “alguém especial”, mais velho, já com filhas, divorciado, alguém que aprendeu a amar em liberdade. “Quando se proporciona, estamos juntos. Não sei se é duradouro, se é benéfico. Começo agora a querer mais do que isso, gostava de caminhar noutro sentido, mas não sei
que resposta vou ter do outro lado.”

http://mulher.pt.msn.com/relacoesefamilia/article.aspx?cp-documentid=154600318
www.maxima.pt

1 comentário:

  1. Olá Heidi!

    Realmente é um tema polémico, isto também porque é algo por onde todos passam. Todos os somos, até ao dia em que o deixamos de ser. Algumas pessoas atribuem muitas importância, outras menos. De facto há quem critique quem não seja ou então critique quem seja. Ser ou não virgem nada muda na nossa auto estima, apesar de por vezes se pensar isso, e nem por isso muda a nossa experiência. Porque ao fazer só por fazer, a meu ver, também não amadurecemos, é uma experiência fisica e nada mais do que isso.

    Quando se fala em virgindade acho que automaticamente se pensa em sexo. O sexo é algo natural, que faz parte da natureza, pois como animais temos por assim dizer o objectivo de procriar, mas como animais superiores temos quase que "obrigação" de tornar o sexo em algo mais superior. Para além disso o sexo entre duas pessoas é uma partilha, um complemento do amor. Quando confiamos, quando existe quimica entre os dois, entre outros factores entao existe o sexo.

    Eu acho que nao deve ser algo gratuito, nem um meio de exploração. Hoje em dia as pessoas usam o sexo, usam as pessoas como objectos para ter o seu prazer. Contudo nós somos energia e no amor partilha-se, dá-se, ao passo que no sexo só só se recebe.

    Existe muita coisa a dizer sobre isso. Eu nao acho bem nem mal uma pessoa esperar até aos 30 anos, em esperar pela pessoa certa. Acho que nao devemos descriminar ninguem, e nem criar esteriotipos. Existem pessoas experientes com a mente fechada, ou seja existe de tudo neste mundo.

    O facto de ser-se ou nao virgem nao faz de nós melhores ou piores pessoas, mas sim os nosso valores. Contudo acho que como algo intimo deve ser partilhado com alguem com quem nos sentimos bem, pela qual sentimos algo forte. E hoje em dia temos de ter muitos cuidados com as doenças e a possivel gravidez, por isso protecçao acima de tudo.

    Acho que contudo a virgindade nao seja propriamente uma prenda, depende da forma como analisamos as coisas, acho sim que tudo depende do sentimento com que fazemos as coisas, a cumplicidade que existe. A primeira vez é importante porque é a primeira entre muitas outras, mas acima de tudo as coisas devem ter um sentido.

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