É um dos maiores desafios da sexualidade: determinar qual a pessoa e o momento certo para se entregar ao amor.
Tema central da construção moral das sociedades, a sexualidade sempre foi tratada com pudor. A história encarrega-se de comprovar que, da condenação ao apelo ao amor livre, já se passaram todas as fases. Doenças como a Sida e a hepatite suscitaram muitas dúvidas e desencadearam o debate. Muitos jovens viram na preservação da virgindade e na abstinência sexual uma forma de se protegerem. Cada pessoa à sua maneira, mais cedo ou mais tarde, acaba por se confrontar com a perda da virgindade. O mais difícil é determinar quando é chegado o momento...
Vanda idealizou ser virgem até ao casamento e demorou quase 30 anos a romper esse pacto que tinha feito consigo própria. Preservou a virgindade como quem guarda o maior dos tesouros. Não é uma questão de fé nem de orientação religiosa, é uma questão dos valores em que acredita. E ela acredita que chegará o dia em que vai saber que está diante da pessoa certa. Por agora, só tem incertezas. “Será que é ele? Será que estou a deixá-lo escapar?”No seu vasto círculo de amigas, sabe que é caso único. Compartilha com poucas este segredo, não por qualquer espécie de vergonha ou pudor, mas da mesma forma que guarda o melhor de si para quem a merecer. “Quem me conhece, mesmo os meus amigos, nada os levaria a pensar nisso. Mas cada um só mostra aquilo que quer mostrar.” E o que ela, hoje, deixa revelar de si é a imagem de alguém confiante, forte, ainda que este seja apenas um jogo de aparência. Os projectos vão-se realizando – a carreira na área das relações públicas está sólida e já comprou um apartamento, onde vive sozinha. O casamento é outra etapa. “Na sociedade actual, não faz sentido pensar que vou chegar ao casamento virgem. Se chegasse, seria perfeito. Mas é, sobretudo, o encontrar a pessoa que acredito que é a pessoa certa.” E se essa pessoa não der o devido valor a este gesto? É um medo que a assalta. Se assim for, vai aceitar com naturalidade: “Nem todos acreditamos nos mesmos valores.”
De qualquer forma, a tentação existe. Como uma necessidade que interpela o corpo, que o desassossega. Quantas vezes idealizou como seria o momento? Vanda não foi muito namoradeira, as vezes que contam na contabilidade da paixão são só duas e viveu essas duas relações fugazmente. Sentia-se tentada nos momentos mais íntimos. Ao mesmo tempo, havia algo em si que apenas exigia que fosse honesta consigo própria e que tivesse a certeza do que estava a fazer. Nunca avançou. Mas, entretanto, tudo mudou. Quando nos voltámos a encontrar, já passou algum tempo e é outra pessoa que está sentada à minha frente. Ainda mais magra, independente e já plenamente mulher. Passou quase um ano e Vanda descobriu o amor. Chegou de mansinho. Chegou a pensar que pudesse ser “a pessoa certa”. Não foi, ficaram apenas bons amigos. Conheceu outro alguém, passado pouco tempo. Entre o primeiro e o segundo encontro, ainda demoraram alguns meses a rever-se, mas havia algo que os fez não se esquecerem. Aconteceu. Estava nervosa, admite que as vezes seguintes foram muito mais especiais, mas foi como ela tinha previsto. Foi ele quem a fez acreditar de novo e, afinal de contas, nunca lhe tinha confiado aquele segredo, nunca denunciara a sua virgindade.
“Ele sabia”, diz. Soube o tempo todo em silêncio, percebia o nervosismo de Vanda, percebia que ela se esquivava sempre a momentos mais íntimos, que os rodeios em volta das conversas só podiam significar inexperiência. Falaram depois de consumado o momento entre lençóis de linho branco. Ele agradeceu-lhe esse “presente grandioso” que uma mulher pode dar a alguém apenas uma vez na vida. Hoje vive descomprometidamente. Encontra-se de vez em quando com “alguém especial”, mais velho, já com filhas, divorciado, alguém que aprendeu a amar em liberdade. “Quando se proporciona, estamos juntos. Não sei se é duradouro, se é benéfico. Começo agora a querer mais do que isso, gostava de caminhar noutro sentido, mas não sei que resposta vou ter do outro lado.”
http://mulher.pt.msn.com/relacoesefamilia/article.aspx?cp-documentid=154600318
www.maxima.pt